quarta-feira, maio 10, 2017

Assis: o esplendor

Tenho andado a ganhar coragem para escrever sobre Assis.
Todos me diziam que era uma cidade especial e eu sempre acreditei.
Acreditar sem ver é difícil e, por isso, lá fomos para Assis na Páscoa para a viver.


Foi o retiro que mais preparação exigiu de mim. 
Nem tive tempo de convidar o P. Nuno Branco. Os quartos eram duplos e, quando dei por mim, já não haviam mais lugares e ainda faltava quase um ano. Senti-me órfão por momentos. Quase trabalhamos juntos de olhos fechados. Como é que agora já não havia lugar?!?

Li um livro antigo sobre S. Francisco, oferecido por um grande amigo dos tempos da António Arroio. Às vezes penso: "como é possível que me tenham oferecido um livro sobre a vida de S. Francisco de Assis, enquanto estudava na António Arroio?"

Li, li e li. Entrei, mergulhei mesmo, na vida de S. Francisco. 
Tudo o que tinha imaginado fazer como exercícios foi transformado ao longo de meses de leituras.

S. Francisco nasceu numa família rica, experimentou a exuberância. Foi um príncipe da juventude. O pai trocou-lhe o nome de João para Francisco em honra dos negócios de tecidos que comprava em França e vendia em Itália. "Francesco" em italiano significa "o francês".

O primeiro passo a dar era experimentar também esse esplendor da riqueza. Desenhar com a liberdade total de escolhas. Mostrar a nossa riqueza no desenho...


Quando pensamos que a nossa riqueza é uma, eis que as voltas nos são trocadas.
Queria muito ter desenhado uma vista de um miradouro sobre a Basílica de S. Francisco (talvez para fazer pandã com o primeiro desenho).
Apareceu este siciliano de passagem por Assis.
Meteu conversa e não parámos de falar.
Crescia em mim o sentimento de frustração pelo tempo a passar sem fazer o desenho esplendoroso que queria fazer, até que me dei conta que o esplendor estava ali a falar comigo. 
"Não são as pedras que são esplendorosas, são as pessoas" - pensei...

Senti-me humilde ao relembrar a pergunta de Filipe: "Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!"
Ele que estava ali com Jesus, não o conseguia ver...

Eu que estava ali com o siciliano, também não conseguia ver o esplendor.
Desenhei-o.
Respirei fundo e segui caminho.

2 comentários:

Ana Simoes disse...

Lindo post, Mario. As pessoas, são, realmente, tudo na vida.

Mário Linhares disse...

São mesmo! ;)